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domingo, 12 de maio de 2013

100 ANOS SEM ELENA GURO, PRIMEIRA EDITORA DO FUTURISMO RUSSO CANÔNICO. UM POEMA EM PORTUGUÊS.


100 ANOS SEM ELENA GURO, EDITORA DO FUTURISMO RUSSO CANÔNICO




Neste mês de maio de 2013 
estamos homenageando a poeta, pintora e primeira editora dos poetas conhecidos por nós brasileiros e lusófonos como pertencentes ao chamado cubofuturismo de Maiakóvski.  Elena Guro nasceu em San Petersburgo, em 30 de maio de 1877 e partiu do mundo em Uchikirkko, Finlândia, em 6 de maio de 1913, tendo então se completado 100 anos de sua morte. 
Segundo a Dra. MARY COGHILL da London Metropolitan University (Russian Formalism and Revolution), conforme palavras do seu marido, o músico associado ao futurismo russo, Mikhail Matiuchin, o seguinte poema, publicado em "Camelos Celestiais" (1914, após sua morte), foi uma espécie de descrição dos colegas futuristas contemporâneos feito pela vanguardista Elena Guro.
É uma tradução provisória, respeitando rigorosamente a posição das rimas e, como de hábito, em se tratando de línguas que desconheço, posponho à minha tradução uma tradução mais próxima do literal, sem compromissos com a estética original do poema de Guro.



            Do livro «Небесные верблюжата», 1914)


        
 ***

          Ветрогон, сумасброд, летатель,
        создаватель весенних бурь,
        мыслей взбудораженных ваятель,
        гонящий лазурь!
        Слушай, ты, безумный искатель,
        мчись, несись,
        проносись, нескованный
        опьянитель бурь.







***


                                                          Carminativo, voador, arrojado,
                                                          autor de tormentas primaveris,
                                                          escultor de pensamentos agitados,
                                                          o azul seguis!
                                                          Ouvi, vós, - pensador desajuizado -,
                                                          é arrancar, riscar,
                                                          rodopiar, - entorpecedor
                                                          inato de temporais.


                                                          Elena Guro - Trad. Adrian'dos Delima







                                     De "Camelos celestiais (1914)" 













Carminativo, impulsivo, voador,           louco ... flutuante
criador de tormentas de primavera,      tempestades
escultor de ideias inquietas,                  agitadas, pensamentos
seguindo o azul!
Ouça,você, cientista sem juízo,            pesquisador... insano, imprudente
arrancar, riscar,
rodopiar, inato
entorpecedor de tormentas.



NOTA: arrancar, riscar, rodopiar são um grupo de palavras(o grupo 
azul,rimado, além do mais) que já uso, em português, na verdade, para criar uma certa harmonia. como no original, pertencem todas a um mesmo campo semântico e, mais, são sinônimas imperfeitas, como qualquer sinônimo. a idéia básica é "correr": a velha velocidade futurista. pé na tábua, passar feito um foguete, voar, passar como o vento, sair apressado - idéias assim.              

segunda-feira, 29 de abril de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Poema de Paulo Leminski para niños, en castellano. Traducción Adrian'dos Delima.



P. Leminski em "Guerra dentro da gente"

Babel Poética 5 – Um índio descerá ou o Superman romântico



Babel Poética 5Um índio descerá ou O superman romântico


A última edição da Revista Babel Poética, de Ademir Demarchi e outros, foi mais uma edição temática, esta sobre o 'índio' (os povos precolombianos da América), o 'índio' em cada um de nós, etc. e, inclusive, o "índio" que não quer ser "índio" ou, menos ainda, selvagem.

Com a palavra, os editores: Esta quinta edição de Babel Poética, de uma série de 6 planejadas, tem como tema o índio e sua cultura. Isso está expresso aqui, na primeira parte da edição, através de poemas e textos de índios mesmo e, em contraste, na segunda parte, composta com textos de não-índios que têm se interessado pela questão.

Participaram os poetas Ademir Assunção, Adriandos Delima (Adrian'dos Delima), Angela Mendes Ferreira, Armando Morubo, Carlos Tiago, Daniel Munduruku, Douglas Diegues, Eliane Potiguara, Enzo Potel, Graça Graúna, Guillermo Sequera, Jairo Pereira, Joca Reiners Terron, José Leite Netto, José Otávio Carlomagno, Josely Vianna Batista, Juayran, Laisa Kaingang, Luiz Ruffato, Marciano Lopes, Márcio Rufino, Marco Cremasco, Maria Aparecida Nunes Barbosa, Mary Pitaguary, Poeta de Meia-Tigela, Ricardo Corona, Rudinei Borges, Sandra Santos, Sérgio Buarque de Hollanda, Tadeu de Moraes Delgado, Vinicius Lima, Waldo Motta, Zé Fragoso, se não esqueço algum maluco.

Impresso julho 2012.

Poemas de Adriandos nas pp. 53-55.





Poemas de Adrian'dos nas pp. 53-55.



segunda-feira, 18 de março de 2013

Dois poemas do espanhol Francisco Cenamor, traduzidos ao português por Adrian'dos Delima.

Dois poemas de Francisco Cenamor


Um pouco depressivos, talvez, em desacordo com o perfil, em linhas gerais, deste blog que prima pela dureza dos seus discursos, a essência que o faz marginal, os poemas de Francisco Cenamor (Espanha, 1965), aqueles que venho podendo observar, têm, no entanto, uma interessante e suave crítica social na sua composição, e algo de experimentação com a língua castelhana em si. 


Adrian'dos Delima

     solo en barcelona

 uno no se siente más yo
 que cuando está solo en una ciudad que no conoce
 y además hay calles desabridas
 con hileras de dos faros que no se detienen
 y oloroso silencio frente a la sagrada familia
 ese esqueleto de fantasma
 cuyas puntas se pierden en la noche del cielo
 y el viento sopla frío
 y las farolas están tristes
 y las palmeras quedan ridículas en aquel frío
 y por fin la rambla
 donde paseamos todos los forasteros
 y miramos cómo recogen las flores
 y las putas tan jóvenes y negras
 –como en tantos lugares–
 y bajamos los ojos
 y alguien mira y hace señas
 y la ciudad es hostil de repente
 y coges el metro en drassanes
 hasta el frío hostal donde te alojas
 y en la habitación piensas estás solo
 pero es que esta vez querías estar solo
 por eso es mejor que ella no haya venido
 y hubiese mar y olor silencioso
 fantasma de sagrada familia y ciudad que no conoces
 farolas tristes y la rambla
 forasteros y putas y metro
 y la habitación del hostal donde estás solo
 porque esta vez quieres estar solo

 .

 só em barcelona

 um não se sente mais eu
 que quando está sozinho em uma cidade que não conhece
 e além disso há ruas indelicadas
 com fileiras de dois faróis que não se detêm
 e perfumado silêncio em frente à sagrada família
 esse esqueleto de fantasma
 cujas pontas se perdem na noite do céu
 e o vento sopra frio
 e os postes estão tristes
 e as palmas ficam ridículas naquele frio
 e por fim a avenida
 onde passeamos todos nós forasteiros
 e cuidamos como colhem as flores
 e as putas tão jovens e sem graça
 - como em tantos lugares -
 e baixamos os olhos
 e alguém olha e faz sinais
 e a cidade é hostil de repente
 e você pega o metrô em drassanes
 até o albergue frio onde se hospeda
 e no quarto pensa você está sozinho
 mas só que esta vez queria estar sozinho
 
 por isso é melhor que ela não tenha vindo
 e tivesse mar e perfume silencioso
 fantasma da sagrada família e cidade que você não conhece
 postes tristes e a avenida
 forasteiros e prostitutas e metrô
 e o quarto do albergue onde você está sozinho
 porque desta vez você quer estar sozinho


               Tradução Adrian'dos Delima


 ***

   cansancio ajeno


 hay cada mañana una mujer maría
 que se sienta al borde del abismo de su cama
 mira hacia abajo antes de saltar
 y duda sin remedio de si irá al trabajo

 hay cada tarde un hombre manuel
 que se sienta cansado en un banco del gimnasio
 mira su peluda barriga que no baja
 y piensa en sacar mañana todo su dinero e irse

 hay también cada mañana un joven raúl
 que coge sus libros para ir al instituto
 mira con ojos dormidos el desorden de su mesa
 y encuentra el cedé que le gustaría quedarse a escuchar

 hay cada atardecer una abuela cipriana
 que abandona con paso cansado el cementerio
 mira con envidia la tumba del marido
 y siente que pronto se liberará de su pesado cuerpo

 hay cansancio en estos días extraños
 y aunque me levanto de la mesa y lo dejo
 me dan ganas de escribir al final del poema
 que tal vez sean mis ojos los que se han cansado

 .

   cansaço alheio

 a cada manhã há uma mulher maría
 que se senta na beira do abismo de sua cama
 olha para baixo antes de saltar
 e duvida sem remédio se irá ao trabalho

 a cada tarde há um homem manuel
 que se senta cansado en un banco do ginásio
 olha sua peluda barriga que não baixa
 e pensa em sacar amanhã todo seu dinheiro e sumir

 a cada manhã há também um jovem raúl
 que pega seus livros para ir à faculdade
 olha com olhos de sono a desordem de sua mesa
 e encontra o cd que gostaria de ficar ouvindo

 a cada entardecer há uma avó cipriana
 que abandona com passo cansado o cemitério
 olha com inveja o túmulo do marido
 e sente que logo vai se liberar do seu pesado corpo

 nestes días estranhos há cansaço
 e ainda que eu me levante da mesa e o deixe
 me dá gana de escrever no final do poema
 que talvez sejam meus olhos os que se cansam




Tradução Adrian'dos Delima




  
                                                                           Francisco Cenamor (1965, Leganés, España). En 1999 Talasa Ediciones publica su primer libro, Amando nubes, lo que le posibilita viajar por toda España dando recitales. En 2003 sale su libro Ángeles sin cielo, editado por Ediciones Vitruvio, editorial que publica en 2007 su libro, Asamblea de palabras. En 2009, Ediciones Amargord publica su elaborado poemario Casa de aire. Incluido en antologías y revistas impresas y digitales, ha organizado numerosas actividades poéticas; actualmente coordina el Festival de poesía erótica Colectivo Hetaira.. Edita el blog literario Asamblea de palabras. Profesionalmente se dedica a impartir clases de interpretación y ha hecho pequeños papeles en películas y conocidas series de televisión.                                       *  



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Elena Guro, editora do futurismo russo. Poema de "Трое", "Os Três" (Ela, Kruchenykh e Khlebnikov), 1913, publicação post mortem.



Eleonora Genrikhovna von Notenberg, em russo Елена (Элеонора) Генриховна Гуро), (San Petersburgo, 30 de maio de 1877 - Uchikirkko, Gran-Ducado da Finlândia, 6 de maio de 1913) foi uma poeta e pintora que teve o grande mérito de ser editora daquela que é considerada a primeira antologia do futurismo que é conhecido entre nós, os falantes de língua portuguesa, e graças ao trabalho dos irmãos Campos e do professor Bóris Schnaiderman, como cubofuturismo. "Uma armadilha para juízes" (1910) contou com a participação de  Velimir Khlebnikov, Vassíli Kamiênski, David Burliuk e seu irmão Nikolai Burliuk.

O poema aqui publicado faz parte do livro “Os três”, ou “Três” (Трое), nome que faz referência aos três autores da coletânea, sendo os outros dois Kruchenykh e Khlebnikov. Com ilustrações de Malevich e prefácio de Matiúchin (marido de Elena e músico autor de uma ópera futurista em parceria com Kruchenykh) “Os três” foi concebido durante a vida de Guro, mas publicado em 1913.
Neste poema, mais do que humanizar a paisagem, a poeta parece falar do humano através da sua percepção da paisagem. Elena Guro parece ter usado uma espécie de rima recorrente, mais visual do que sonora, com a palavra  “ЛЕНЬ”. As diferenças idiomáticas, principalmente etimológicas, não me permitiram manter toda esta “tessitura visual” do original no português, tendo ela sido substituída por outra, analogamente semelhante, porém não equivalente de todo.

Evitando prováveis mal-entendidos e até interpretações maliciosas com relação à minha intenção estética como tradutor, informo que este é o primeiro texto que traduzo da língua russa, e posponho à minha tradução uma tradução livre e “literal” do poema, na medida que isto é possível.











                                                                                                                                                                               
                                                                                                                                                                                                                     INDOLÊCIA

E indolência.
Por volta do meio-dia começava um calor que aliviava.
Pelo lago cintilante se move
O balançar.
Diamantino o salto de chispas.
Um minúsculo toque de telefone.
Motuca que zumbe.
Acima d’água
Pingos de orvalho indolentes.




À esquerda, na imagem, “Banhistas”, Nadir Afonso.