Muita arte na rede Ello. Visualize:

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Chus Pato, diz-se que pós-moderna.

Poema de Chus Pato (MAIS SOBRE), escritora galega (Ourense1955), pra quem não a conhecíamos.


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fecha-se o corpo para ser lagoa; no êxtase centos de rostos de buda menino, em procissão, transpassaram a alcova

**pese a escassa distância alguém (varão) perto dos soportais da Praça Maior insiste em acompanhar-me. Circulamos a uma velocidade
extrema sorteando todo o tipo de obstáculos (Bombaim, Calcutá, em todo caso por uma cidade não ocidental). Regressamos ao ponto de
partida
funciona como uma metáfora do trabalho poético: @rapsodo ocupa a cadeira do co-piloto (ninguém conduz o automóvel) a musa matemática
vai atrás, protegida do vento pela tampa do porta-malas, impulsiona o transporte

os sonhos não deixam um rastro contíguo no desejo imediato do corpo
 



 Chus Pato
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Tradução Adrian'dos Delima



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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mineiros do Chile e Albertí

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Pensando nos mineiros soterrados do Chile, lembrei do primeiro poema que traduzi,
em 1990, minha promeira tradução de poesia. Pode não ser uma grande tradução, nem o melhor poema do mundo.Mas traz o que alguns precisam. Respire um poema de Albertí.


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CONVITE PARA O AR

Te convido, sombra, ao ar.
Sombra de vinte séculos,
para a verdade do ar,
do ar, ar, ar.

Sombra que nunca sais
de tua cova, e ao mundo
não devolveste o silvo
que ao nascer te deu o ar,
o ar, ar, ar.

Sombra sem luz, mineira
nas profundidades
de vinte tumbas, vinte
séculos ocos sem ar,
sem ar, ar, ar!

Sombra, às bocas, sombra,
da verdade do ar,
do ar, ar, ar!

Rafael Albertí
Tradução Adrian'dos Delima


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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Poeminha de Gary Snyder, tradução Adrian'dos Delima;

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Como a poesia chega a mim

Ela chega batendo às cegas à
Noite nos seixos, ela aguarda
Medrosa longe do raio da
Fogueira em meu acampamento
Eu vou pra estar com ela na
Borda da luminescência


Gary Snyder
Tradução Adrian'dos Delima

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Poema do primeiro livro de James Joyce - Chamber Music II, Tradução Adrian'dos Delima.

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Percebam o ritmo que tem isto. Eis um poema que não precisa ter mais nenhuma qualidade. Por outro lado, não é por nada que Pound incluiu Joyce na primeira antologia de poetas imagistas:

Chamber Music II


O acaso passa de ametista
A azul, fundo e mais fundo;
Com luz glauca prenche, a lâmpada,
Árvores lá da rua.

Do velho piano uma ária,
Serena, lenta, alegre;
Tendendo às teclas amarelas,
Pende a cabeça – ela.

Mãos, vãs idéias e olhos graves
Vagam pelo que avistam;
O ocaso passa a azul escuro
Com raios de ametista.

James Joyce
Tradução Adrian'dos Delima




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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

mais d' Henri Meschonnic: 4 poemas por mi


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cabelos tremendo sobre as pedras
eu os vejo confundidos com terra
os gestos ocos
os ventres da vida
dentro de um solo onde se fundam ossos
uma terra arrasada de lendas
os gritos destes olhos
gotejam sobre a relva
submerjo meus braços no viveiro
de mortos


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eu marcho meu êxodo
onde não há mais cantos
eu não demando mais nada
eu sou a ferida onde as mentiras ardem
é sob minha pele que se move o mundo
o medo treme atolado
avançamos
eu marcho atrás da minha vida
como um escravo
eu não posso mais
com o espetáculo da minha cara

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não sei
o que ontem
será
o que fará o passado
o desconhecido
não é amanhã
é o que ontem
fará de
amanhã

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hoje
as folhas mortas
iam mais rápido que eu


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Henri Meschonnic
Traduções Adrian'dos Delimas

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Poemenos de Adrian'dos Delima

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Aí dois dos meus. Mas não acostumem. Este não é um blog narcisista.
Diferentes entre si na forma.
Redundam no tema.

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1.
Aprende tu
que é mais jovem e mais sensato
o exemplo de Shakespeare
que quando morreu taparam a boca
Fecha a tua
se quer viver eternamente

...

2.
no quartescuro é o que se revela
a veneziana sorri do relâmpago
na salaclara revelado o medo
todo o teto no trovão tremendo
a lâmpada tremeluzindo
o próprio tímpano um cristal vibrando
mas dentro de um nada muda
nada se recua
ante o
tremor do mundo



2008




Adrian'dos Delima(s?)
Continuando a crise de identidade.
Assim vou criar é heterônimos.

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Poemenos de Adrian'dos Delima 2

DEVORACIDADES

1.MERCADO PÚBLICO EM PORTO ALEGRE

A (de)voracidade do mercado
Onde as cidades famintas de fome
Observam as cenouras e beterrabas
E se extasiam com a beleza das cores
Devora as pessoas antigas
Com sua arquitetura já clássica

17/02/2006

2. TRAFICANTES NA FAVELA DA ROCINHA

Os seguranças com rádio na mão
Defendem com arrogância
Do alto dos seu banquinhos
A freguesia de todos os shoppings

02/2006

3. EXPLICAÇÃO AO FUNCIONÁRIO DEMITIDO

Veja bem o senhor não seja
Tão honesto
Não é importante o atendimento
O importante é crescer o montante
Do monte que já é um monte
Do montão que o nosso banco come
Desmoronando muita cidade
Barranco abaixo

02/2006

4. BALA DE POLÍCIA

Meu canto é um adolescente morto

A cada verso

1995

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Poema de e. e. cummings por Adrian'dos Delima.

não deixem de ler o original. mas me considero um bom plagiador.

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e
ssa a mais fei
a

s
ub
sub

urban
a linha de horizonte no mundo entre c
asebres

ond
e e
m

e
rge um manchadoovo do sol de inverno se p
ondo


e.e. cummings

Trad. Adrian'dos Delima 

Mais Miss Dickinson, The name — of it — is "Autumn". Tradução Adrian'dos Delima.

O nome – dele – “Outono” –
É Sangue – dele – a cor –
Uma Artéria – se unindo à rua –
Uma Veia – sobre o morro –

Gotas Gordas – nas Aléias –
E Oh, o Banho de Esmalte –
Pois Ventos – reviram os Vasos –
E espalham a Chuva Escarlate –

Ele mancha Bonés – do alto –
E acumula poças rosadas –
E então – no tufão de uma Rosa –
Vai – sobre Rodas Rubras.


Tradução Adrian'dos Delima



The name — of it — is "Autumn" —
The hue — of it — is Blood —
An Artery — upon the Hill —
A Vein — along the Road —

Great Globules — in the Alleys —
And Oh, the Shower of Stain —
When Winds — upset the Basin —
And spill the Scarlet Rain —

It sprinkles Bonnets — far below —
It gathers ruddy Pools —
Then — eddies like a Rose — away —
Upon Vermilion Wheels — 




Emily Dickinson traduzida by Adrian'dos Delima














&&&


Uma tal Borboleta é vista
No Pampa Brasileiro –
Meio-dia – não depois – Linda –
Então – o visto foi-se –

Um tal Tempero – o expresso e passa –
À Tua Mão Sujeito –
Como os astros – Vistos na noite –
Na Manhã – Forasteiros –



Emily Dickinson
translation by Adrian'dos Delima (novo nome do tradutor)



                                                    O pampa gaúcho, pra quem nunca viu.
                                                             E o trem que já partiu.

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Some such Butterfly be seen 

Some such Butterfly be seen
On Brazilian Pampas –
Just at noon — no later — Sweet –
Then — the License closes –

Some such Spice — express and pass –
Subject to Your Plucking –
As the Stars — You knew last Night –
Foreigners — This Morning –

  Emily Dickinson